Quando o nosso ritmo pode interferir negativamente no desenvolvimento e comportamento dos nossos filhos

Há um tempo atrás me deparei com um post sobre slow parenting que me deu um chacoalhão… me pôs em contato com uma questão que eu nunca tinha parado para pensar e depois que tomei consciência me deixou bastante chateada, mas me tocou tão fundo que em pouco tempo, quase de imediato, fui capaz de alterar o meu comportamento para benefício do meu filho.
Nossa vida tem os minutos contados, é tudo cronometrado dentro das 500 mil coisas que temos que fazer e encaixar no dia, num ritmo muito acelerado. Sempre buscamos uma forma de sermos mais produtivas, ativas, multitarefas … E acabamos ficando aceleradas, dispersas (porque nossa cabeça está planejando, pensando em n coisas ao mesmo tempo enquanto estamos fazendo outras), pouco presentes. Sentimo- nos sobrecarregadas, e nunca sendo o suficiente para a vida que vivemos.
Essa vida frenética pode trazer muitos problemas para nós, aumentar mais o nosso estresse e nos desgastar, ficamos mais irritadas, angustiadas e menos presente para as pessoas a nossa volta. Mas sabe qual outro problemas nesse nosso comportamento e no ritmo acelerado? Eles afetam diretamente os nossos filhos. Muitas e muitas vezes impomos a eles o nosso ritmo, o nosso tempo, fazemos por eles para ser mais rápido… E eles absorvem todo o sentimento que vem acompanhado dessa pressa de forma muito intensa.
Quando não respeitamos o ritmo individual de cada criança fazemos com que ela se sinta menos capaz, menos rápida, que não está atendendo às nossas necessidades…. O pensamento “não consigo” é muito frequente nas cabecinhas, e assim elas se anulam cada vez mais e realizam cada vez menos.
Ao respeitarmos o ritmo infantil permitimos que elas vivam a sua natureza de observar, se interessar, explorar, questionar, descobrir, tentar e até pedir ajuda.
“Não é que eu sou inteligente, é que eu permaneço com os problemas por mais tempo” Albert Eintein
Quando respeitamos o ritmo infantil:
1. Permitimos que eles façam por si mesmos: damos tempo para eles se desenvolvam e aprendam através das tentativas e erros, de acerto e de recompensa com o sucesso, ou seja, há uma permissão ao aprendizado. Eles testam por si qual a melhor estratégia, tem a possibilidade de observar a própria evolução e perceber que são capazes, gerando um reforço positivo.
Fazer por eles quando queremos que eles sejam mais rápidos, para não perder tempo ou atrasar, é ruim para o desenvolvimento, porque como já vimos nessa matéria sobre aprendizado o treino e o tempo para treinar são fundamentais.
2. Aumentamos a auto confiança e auto estima das crianças: deixar que elas façam sozinhas mostra que acreditamos que elas são capazes, além de ser uma ótima oportunidade para elogia los por tentar e se esforçar
“Somente as crianças acreditam que eles são capazes de tudo” Paulo Coelho
3. Damos tempo para que a criatividade apareça, permitimos que eles observem e explorem o ambiente e o seu próprio corpo, criando diversas possibilidades, muitas que nem pensaríamos
4. Facilitamos a independência. Por mais que pareça que esse tempo a mais que eles precisam atrase o que temos que fazer ou para onde temos que ir, esses momentos são fundamentais para que logo logo eles se tornem independentes e consequentemente facilitar e nos ajudar nas nossas atividades
5. Evitamos que o nosso estresse e ansiedade passe para as crianças. Eles são extremamente sensíveis e permissíveis às nossas emoções, o que sentimos rápida e facilmente se torna o que ele sentem. O nosso comportamento quando estamos com pressa, acelerados, ansiosos, são mostrados para eles no tom de voz, gestual e até mesmo na vibração e energia que emanamos. De forma natural não existem essas emoções nos pequenos, elas são impostas, aprendidas e transmitidas pelos adultos.
Esses sentimentos dificultam o aprendizado, pois é com tranqüilidade e bom humor que as crianças aprendem de forma mais fluida e tranquila. Além disso, o estresse e a ansiedade não possibilitam a calma necessária para a exploração, descoberta e observação.
6. Respeitando o ritmo infantil permitimos que eles estejam completamente focados no presente. Por mais que pareça que estejam distraídos eles estão ligados e concentrados de forma plena na atividade que realizam e no momento deles. Olhando e sentindo de forma atenta os elementos que estão a sua volta.
A desaceleração na rotina dos pais e, consequentemente, dos filhos, permite que eles possam explorar o mundo a seu tempo. É importante para resgatar a infância como um período de descoberta e aprendizado.
Mesmo que ainda não consigamos fazer o nosso ritmo mais lento, ter consciência do que transmitimos para as crianças e de que precisamos respeitar o tempo de cada um é essencial para o desenvolvimento, auto confiança e até estabelecer uma tranquilidade maior na relação entre adultos e crianças e dentro de casa.
Vou deixar aqui algumas sugestões que podem nos ajudar a respeitar o ritmo natural dos nossos filhos:
1.  Estar atentos ao momentos de transição, pois eles são as horas mais propícias para tentemos impor o nosso ritmo aos deles (momento de sair de casa, acordar, para de brincar para almoçar)
2. Avisar uns minutinhos antes qual será o próximo passo ou próxima atividade para que eles se preparem mentalmente e que eles consigam realizar essas transições de forma mais ágil e sem ajuda (“olha, daqui a 5 minutos vamos sair, então já comece a arrumar os brinquedos ou pegar a sua mochila”)
3. Observar o que o seu filho consegue fazer com facilidade, o que demora um pouco mais de tempo e o que ainda está muito difícil, assim você consegue se preparar e planejar o seu tempo e oferecer ajuda caso veja que é uma atividade que exija mais deles
4. Explicar ou pedir de forma detalhada o que queremos que eles façam (“nós já vamos sair para a escola, então preciso que peque a mochila, coloque as meias e os tênis”), isso facilita a fase de planejamento, que é um processo abstrato e demora mais para terem esta habilidade
Cada um tem seu tempo e seu momento… vivê- los e respeitá-los permite que eles cresçam … e nós também.
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