A forma de enxergarmos os primeiros anos do bebê pode fazer toda a diferença

Desde a gravidez uma das maiores preocupações de todos os pais é: “será que o meu bebê está se desenvolvendo bem?”. Ainda no útero dependemos de exames que nos dêem indícios disso, mas depois que a criança nasce podemos ver com nossos próprios olhos…

Mesmo assim, especialmente se você for um pai de primeira viagem, muitas vezes é difícil sentir-se seguro se o que você está observando é o “normal” e se “está no tempo certo”, afinal cada criança tem o seu ritmo próprio de desenvolvimento

E aí entra a busca pelo conhecimento sobre os chamados “marcos motores”, ou seja, o que a criança deveria ser capaz de fazer em cada fase, como forma de auxiliar nessa observação (e controlar também a ansiedade hehe). Sem contar que a identificação e registro desses marcos também é uma forma mais objetiva que os pediatras têm de acompanhar o desenvolvimento da criança (então mesmo que você não saiba quais são certamente será questionado sobre eles).

A questão é que pensar no desenvolvimento motor no dia-a-dia apenas considerando os “marcos motores” acaba nos fazendo perder a noção exata do que ele representa para a criança de fato.

Mas afinal, o que é desenvolvimento motor?

Podemos definir como um processo através do qual a criança adquire habilidades motoras cada vez mais complexas (tanto em relação à sua capacidade de se manter nas posturas – sentada, em pé, etc – como em relação ao controle dos movimentos de braços e pernas) que ocorre simultaneamente com o desenvolvimento de outras áreas (sensorial, cognitiva e emocional – por isso chamamos atualmente de desenvolvimento neuro-sensório-psico-motor), e que interligam-se e influenciam- se mutuamente.

Entender o desenvolvimento infantil como um processo ao invés da aquisição de marcos isolados pode mudar completamente a perspetiva e, inclusive, a participação dos pais nessa fase tão importante para a criança.

Pensar nele como uma jornada abre maior espaço para a valorização de cada tentativa, da persistência, de cada pequena conquista que, somada às outras, irá levar a criança a adquirir a habilidade em si (como sentar-se sozinha por exemplo). Dá maior tranquilidade para pais e, principalmente, para as crianças, por ser respeitada em seu ritmo próprio. Permite enxergar a importância dessa fase para a o desenvolvimento dela enquanto indivíduo. O segundo modo de ver (a preocupação com os marcos isoladamente – o que atualmente mais frequentemente acontece) valoriza apenas o alcance do objetivo final, transforma essa fase numa corrida, aumenta a ansiedade dos pais e muitas vezes coloca a criança em situações para as quais ela ainda não está totalmente preparada.

Não estamos dizendo que conhecer sobre o que a criança sabe fazer em cada fase seja ruim, pelo contrário, isso pode inclusive facilitar a interação entre pais e filhos. A questão é apenas não se esquecer de um conceito que iremos ensinar aos nossos filhos mais tarde: “O importante é competir”, certo?

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