Outro dia precisei mandar fazer os cartões do Tempo Magico para um evento. Era um dia que eu sabia que meu filho estava cansado (ele já tinha pedido de manhã, enquanto eu o levava para a escola, que queria dormir quando voltasse), e quando é assim confesso que não arrisco grandes “aventuras” porque a chance de dar estresse é grande… Mas era algo que precisava ser feito naquele dia então não teve jeito…
Quando chegamos no shopping, sabendo que iria demorar para os cartões ficarem prontos,  meu primeiro impulso foi querer prometer algo do tipo “quando acabar te compro um sorvete” ou algo do gênero, como forma de compensá-lo por não sei bem o quê, mas me segurei. E não foi uma vez só… E fiquei me questionando sobre esse impulso…
Quando eu era pequena lembro de passar horas no supermercado de domingo com meus pais (aquela época de inflação que se faziam compras imensas, sabe?), e era quase que uma obrigação eu me comportar. Não tinha nada para me distrair (nem aqueles carrinhos de supermercado de criança para dirigir, empurrar, etc) e não importava como eu estava me sentindo (quem gosta de fazer supermercado?), era algo que precisava ser feito naquele momento… e não havia culpa por parte dos meus pais. Não era algo deles especificamente, era a forma como as coisas eram encaradas na época.
Hoje levamos muito mais em consideração os sentimentos dos filhos, buscamos que eles se expressem, nos preocupamos em oferecer experiências mais agradáveis e mesmo assim parece haver tanta culpa… Pelo o quê exatamente não consegui chegar a uma conclusão. 
Não acho que na vida só fazemos o que nós gostamos ou o que queremos, na hora que queremos, e busco sempre ensinar isso para o meu filho no dia-a-dia, mas confesso que essa vontade de querer compensa-lo nessa situação me surpreendeu. Sim, acredito que a forma de educarmos os filhos hoje em dia, ouvindo mais as crianças, pode ter inúmeros benefícios na formação delas enquanto pessoas, mas certamente também traz inúmeros desafios para nós como pais…ou pelo menos para mim… saber a hora de impor e a hora de ceder, de ouvir, de levar em consideração o que nosso filhos nos trazem… 
No final não prometi nada e nem dei nada “de surpresa” quando tudo acabou (sim, isso também tinha passado pela minha cabeça). Ele se comportou na maior parte do tempo e já no final (tivemos que esperar um bom tempo as coisas ficarem prontas), quando ele estava reclamando que queria ir para casa, eu disse que entendia e que me sentia da mesma forma, mas que estava acabando. Enquanto esperávamos inventei algumas brincadeiras com as linhas do piso do shopping e deixei ele correr um pouco (na verdade era o que eu queria fazer também kkk). E quando finalmente estávamos indo embora elogiei pela colaboração. 
Não consegui entender propriamente “da onde vem tanta culpa?”, apenas que talvez tenha sido um sentimento precipitado. O que me levou a duas outras conclusões (aparentemente obvias mas que me pegaram de surpresa mesmo assim).
Primeira: nossos filhos muitas vezes nos surpreendem, especialmente se dermos chances para eles poderem fazer isso (e não assumir, por exemplo, que como geralmente há estresse quando ele está cansado isso sempre irá acontecer, como foi meu pensamento inicial)
Segunda: Ser mãe é um eterno aprendizado, inclusive (e talvez principalmente) sobre nós mesmas. 
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