Outro dia a gente ia sair e o Pedro apareceu todo vestido na sala. Meu marido só tinha separado a calça (porque estava frio), e ele escolheu camiseta, casaco, meia, tênis e já estava com a mochila nas costas com alguns brinquedos que ele tinha separado. Na hora me veio na cabeça: “quando foi que meu filho cresceu assim?” (em momentos como esse, me vem uma mistura de sentimentos: de orgulho e ao mesmo tempo um certo saudosismo, coração apertado de quem sente que o tempo está passando rápido demais..)

Do ponto de vista motor e cognitivo, nada espantoso para uma criança de 4 anos e meio… é até natural que as crianças, conforme vão adquirindo essas habilidades, naturalmente procurem ser mais independentes, e passem a querer fazer as coisas sozinhas. Mas quando eu voltei a pensar em que momento isso aconteceu de uma forma mais evidente, lembrei de um episódio especifico que desencadeou uma autonomia muito maior do que a que ele vinha apresentando, e que não tinha nada a ver com deixar a roupa separada ou pedir para ele escolher a roupa e se vestir sozinho, como eu já vinha fazendo há bastante tempo.

Foi uma adaptação (a famosa “gambiarra”) que fiz no banheiro dele, para que ele pudesse abrir e fechar a torneira sozinho (na verdade, quando tive essa ideia pensei em algo que iria beneficiar nós dois: ele por ter essa independência, essa autonomia e a mim por não precisar parar sempre o que estava fazendo para abrir a torneira toda vez que ele precisava…)

Só que a repercussão disso foi muito maior do que eu poderia imaginar. E me dei conta do quanto às vezes a gente acha que a autonomia que estamos dando tem um limite (aquele que podemos ver, calcular), que no caso era simplesmente poder lavar as mãos sozinho quando chegasse da escola, quando fosse no banheiro….

A questão é que esse gesto, essa simples adaptação deu a ele uma confiança, uma vontade de querer fazer outras coisas sozinho que não tinham nada a ver com lavar as mãos sem precisar de ajuda. Ele quis começar a tomar banho sozinho, acordava e já ia no banheiro sozinho sem chamar ninguém, passou a só querer se vestir sozinho e inclusive a passar mais tempo brincando sozinho.

Refletindo sobre isso percebi o quanto, muitas vezes, nós como pais não temos noção dos efeitos que as nossas ações têm para o desenvolvimento dos nossos filhos. E isso pode ser verdadeiro para os dois lados: tanto para permitirmos que eles se desenvolvam mais facilmente, como o oposto, dificultando  com que explorem todo o seu potencial.

Foto da “gambiarra”que fiz no banheiro

Share This

Gostou deste post?

Compartilhe!