Muitas vezes as respostas que buscamos estão nos nossos próprios filhos…

No último dia das crianças demos uma bicicleta para o Pedro. A segunda!

A primeira ele ganhou quando tinha 1 ano e meio. Uma bicicleta daquelas de madeira, sem pedais, para estimular a criança a desenvolver o equilíbrio no seu tempo e assim adquirir maior auto-confiança.

Na idade que ele ganhou a de madeira ainda era para ser utilizada como triciclo (para aprender a conduzi-la e entender como andar nela apenas com o movimentos das pernas),  mas a intenção era de que, conforme crescesse mais um pouco, transformássemos em bicicleta, o que estimularia mais o equilíbrio propriamente dito…

O conceito por trás da idéia é fantástico (especialmente para uma mãe fisioterapeuta hehe) e sempre vejo crianças desde muito pequenas equilibrando-se nelas sem muitas dificuldades. Mas aqui em casa não foi bem assim…

Das duas vezes que tentei tirar uma das rodas (em momentos bem distintos), ele se sentia muuuito inseguro. Apesar de eu já ter observado que ele  tinha condições do ponto de vista motor e  ele mesmo demonstrar interesse em dar “o próximo passo” (era algo que havia sido acordado com ele anteriormente), na hora “H” não dava certo… eu dava suporte (fisico e psicológico) mas o resultado era o abandono da bicicleta…

Tem horas que é difícil saber o quanto temos que insistir para o nosso filho concluir uma atividade, desenvolver uma habilidade, não é mesmo? Ainda mais numa situação que é para ser uma diversão e não algo desgastante..

Então por aqui optamos por respeitar seu tempo e seu sentimento e assim ele foi crescendo… sempre pedia o seu triciclo, dava algumas voltas mas também não por muito tempo…

Por outro lado, cada vez mais havia um interesse por parte dele pelas “bicicletas tradicionais”: sempre que via uma queria subir e pedalar… mesmo se fosse uma bicicleta sem rodinhas (e nós tínhamos que segurá-lo para não cair), parecia que ele se mostrava muito mais motivado (e menos inseguro) a andar nela, do que se o mesmo fosse feito na sua bicicleta de madeira (uma situação muito mais estável pois ele estaria, inclusive, com os próprios pés no chão…).  Talvez ver os amigos ou outras crianças andando nesse tipo de bicicleta fosse algo muito mais estimulante para ele, talvez julgasse mais fácil, difícil saber…

Acontece que conforme foi passando o tempo começamos (eu e meu marido) a nos questionarmos qual seria a melhor saída para essa situação. E se, no final das contas, não seria melhor mesmo ele ter uma bicicleta “tradicional”, para que pudesse brincar mais agora, se divertir, pedalar, se exercitar, e ter tanto outros benefícios ainda que mais para frente possivelmente ele tenha um pouco mais de trabalho para tirar as rodinhas…

O que mais tenho aprendido como mãe é reavaliar minhas decisões em alguns (muitos) momentos. E para alguém perfeccionista como eu, isso não é muito fácil… Muitas vezes é difícil sabermos o melhor caminho, “qual o impacto do que estamos fazendo hoje na vida dos nossos filhos quando forem mais velhos? “. E para isso, às vezes realmente precisamos dar um passo a trás e avaliar o que é melhor para o NOSSO filho, NAQUELE momento, sem ter medo de recalcular a rota quantas vezes forem necessárias.

Talvez eu devesse ter insistido um pouco mais. Talvez. Mas hoje o que eu vejo é um menino realizado que andou para cima e para baixo numa “expedição de bicicleta”. Possivelmente ele precisará de mais treino quando for tirar as rodinhas mas agora poderá vivenciar muitas outras coisas…

E essa carinha já diz tudo, vocês não acham?

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