Quando o Rafa era pequeno eu nunca parei para pensar sobre o brincar, muito menos sobre brincar junto. Sabia que algo que os bebês e crianças “tinham que fazer”, “que era necessário” e via isso como uma “tarefa” que ele tinha que cumprir. Meio louco isso, né? Mas era o que eu pensava naquela época. Achar que eu tinha que brincar com ele nem me passava pela cabeça, afinal eu não gostava e não sabia brincar. Eu criava momentos para ele com brinquedos, colocava bastante no chão, fica perto, ou observando, colocava ele brincando ao meu lado enquanto eu fazia alguma outra coisa. Só fui ver a real necessidade e importância de brincar junto com ele quando já era mais velho e passou por um período de muita irritação, insegurança, e alterações do comportamento.

 

Mesmo ele estando ao meu lado, e passando diversos momentos com ele, não consegui perceber o que se passava nas suas emoções, seus medos e angústias. E pior, eu não sabia como me aproximar e conseguir entender pelo que ele estava passando. Foi então que eu procurei ajuda para ele, uma psicóloga, para melhorar o que ele estava sentindo. O “tratamento “ que ela recomendou não era especificamente direcionado a ele, mas sim era algo que eu deveria que fazer, eu TINHA que brincar com ele. Naquela hora foi difícil para eu entender como brincando junto proporcionaria um alívio no que ele estava sentindo e mudaria seu comportamento, então fui ler sobre isso. Eu queria entender como isso faria a diferença para ele, mas o que eu aprendi foi que essa interação faria a diferença para nós.

 

 

O que eu descobri sobre o brincar junto e que fez eu inserir esses momentos no meu dia a dia com o Rafa:

 

 1.  Neste momento podemos observa – los mais de perto, como eles se comportam, seus gostos, jeitos e assim conhecê-los cada vez mais, afinal de contas, o tempo e a convivência próxima é que nos mostrará quem eles são, é um aprendizado diário, e não imediato a partir do momento que nascem. Estando juntos na brincadeiras, permanecemos na mesma sintonia, no mesmo ambiente, com a mesma intenção e energia. E é diferente de olhar eles brincando. Imaginem – se vivendo um história e ou ouvindo a mesma sendo contada por outra pessoa. Em qual situação é possível ter mais emoções, sensações e captar mais detalhes?

 
2. Na brincadeira eles estão mais abertos a falar e expressar emoções, contando situações pelas quais eles passaram e representando eventos que aconteceram com eles e podem ter deixado uma marca muito maior do que imaginamos. Eles podem fazer com os bonecos a rotina da escola, as brigas e brincadeiras com os amigos, a partir disso podemos ter vários insights do que os move, os chateia, os agrada ou não.
 
3. Criamos ou aumentamos a conexão entre nós e eles. Nesta interação entramos no mundo e ambiente da criança, o que facilita entendermos onde e as emoções as quais ela vive. Isso vai ser fundamental para a ligação que se formará e permanecerá no futuro (ai… a adolescência…). Permite sentirem uma segurança maior e um suporte emocional, para enfrentar as situações que começam a aparecer na vida deles desde pequenos, inicialmente na forma de brincadeiras, como desafios, frustrações, medos…
 
4. O desenvolvimento da criança acontece num jogo de ação e reação – ela faz alguma coisa, como sorrir, enquanto é bebê, ou uma carreta, quando é maiorzinho, e observa sua reação. A partir disso aprende como o seu comportamento provoca outro em nós e quais as consequências de suas ações. Cada informação dessa é um ingrediente para o cérebro e, somadas são alimentos para fazer novas conexões cerebrais e desenvolver habilidades. Mas isso não acontece em qualquer brincadeira, independente da presença dos pais? Ah, aí é que está o pulo do gato, o afeto que existe entre pais e filhos “turbina” o aprendizado e o desenvolvimento. Esse sentimento potencializa o que a criança está vivendo e favorece ainda mais a formação de sinapses no cérebro.

 

Brincar junto é entrar em sintonia, com presença total de ambos no que estão fazendo. Esse momento de brincadeira deve acontecer como numa conversa com alguém muito querido e muito importante na sua vida, em que há olho no olho, atenção total, observação e troca. Colocar isso na rotina pode ser um exercício, mas também será um investimento a longo prazo com grande lucro e baixo risco. O Rafa mudou muito depois que começamos a brincar, não tem momentos de grande irritação, diminuiu muito a insegurança e os medos, está aberto a me contar o que sente e o que acontece com ele, mas o que melhorou mais foi a nossa ligação, e isso vale todo o investimento.

 

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